PS 2026: etapa de heteroidentificação assegura efetividade das cotas
Nesta semana, a Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou as bancas de heteroidentificação do Processo Seletivo 2026, etapa integrante da política de ações afirmativas que assegura a destinação correta das vagas reservadas às cotas raciais.
O procedimento de heteroidentificação complementa a autodeclaração racial apresentada pelos candidatos. A análise é conduzida por comissões formadas por servidores capacitados, com base em critérios fenotípicos e na forma como a pessoa é socialmente reconhecida nas relações raciais brasileiras. O objetivo é garantir que a política pública alcance o público para o qual foi concebida: pessoas negras - pretas e pardas - que enfrentam o racismo estrutural.
A atuação das bancas considera também as especificidades regionais. Na região Norte, marcada por intensa miscigenação e forte presença de matrizes indígenas, há variações fenotípicas que exigem atenção técnica e contextualizada. Nesse cenário, o alinhamento de critérios é fundamental para evitar decisões baseadas em percepções individuais e assegurar maior objetividade na análise.
Capacitação - Como parte desse processo, a Superintendência de Políticas Afirmativas e Diversidade (Diverse/UFPA) promoveu oficinas de formação e alinhamento de protocolos com integrantes das comissões de heteroidentificação. Os encontros ocorreram em Belém e em municípios como Abaetetuba, Altamira, Castanhal, Prainha e Tucuruí, reunindo cerca de 120 participantes.
A formação abordou a definição do público que faz jus às cotas raciais, os procedimentos de condução das bancas e a elaboração de pareceres técnicos. Também foram discutidos os desafios relacionados à redução de vieses pessoais, considerando que experiências individuais não podem se sobrepor aos critérios institucionais estabelecidos.
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